Lisboa recebe em 2027 a primeira Intercontinental Cup de Padel

Anúncio feito por Luigi Carraro na 36.ª Assembleia Geral da FIP marcou a participação portuguesa em Madrid. A intervenção do presidente da Federação Portuguesa de Padel sobre a representação de selecções nacionais mereceu uma forte manifestação de apoio da Assembleia.

Lisboa será palco, em 2027, da primeira edição da Intercontinental Cup de padel, uma competição que colocará frente a frente a Europa e as Américas, com a participação dos atletas melhor colocados no Ranking Mundial FIP, num formato inspirado na Ryder Cup de golfe. O anúncio foi feito pelo presidente da Federação Internacional de Padel (FIP), Luigi Carraro, perante as federações reunidas na 36.ª Assembleia Geral, realizada em Madrid, na segunda-feira, 12 de Outubro.  A escolha de Portugal para acolher esta primeira edição constitui um reconhecimento da capacidade organizativa do país e do seu papel no desenvolvimento do padel internacional, colocando Lisboa no centro de uma nova competição entre continentes.

A Federação Portuguesa de Padel (FPP) esteve representada pelo seu presidente Ricardo da Silva Oliveira e vice-presidente Jean Paul Lares numa Assembleia Geral que debateu questões determinantes para o futuro da modalidade.

A participação portuguesa ficou também marcada pela intervenção do presidente da FPP no debate sobre os critérios de elegibilidade de atletas para representar selecções nacionais, em particular nos casos de aquisição de nacionalidade sem uma ligação efectiva ao país representado.

Antes de abordar este tema, o presidente português reconheceu o trabalho desenvolvido por Luigi Carraro na estruturação e afirmação internacional da FIP, destacando a evolução da organização desde o início da filiação portuguesa e o caminho percorrido até hoje, rumo à integração do padel no movimento olímpico. Sublinhou, nesse contexto, o reconhecimento que esse trabalho de Luigi Carrraro deve merecer por parte das federações nacionais.

Ao iniciar a sua intervenção sobre a representação nacional, o presidente da FPP explicou tratar-se de uma questão que lhe era particularmente cara, pedindo compreensão caso a emoção se sobrepusesse às palavras. Solicitou ainda que o texto do discurso fosse anexado à acta da Assembleia, para consulta futura.

A intervenção colocou no centro do debate a ética desportiva, a igualdade de condições entre países e o significado de representar uma selecção nacional. Respeitando a soberania de cada Estado na atribuição de nacionalidade, o presidente português defendeu que a posse de um passaporte deve ser acompanhada pelo cumprimento de critérios desportivos claros e por uma ligação efectiva ao país.

O discurso distinguiu expressamente os atletas que constroem essa ligação através de anos de residência e integração daqueles cuja naturalização serve apenas a obtenção imediata de uma vantagem competitiva. Como exemplo, evocou o percurso de um atleta espanhol que hoje canta o hino com tanta ou mais emoção que qualquer português, mas que teve de residir em Portugal e aguardou sete anos para hoje ser português.

Entre as propostas defendidas no seu discurso, estiveram períodos mínimos de sete anos de titularidade de passaporte ou de residência efectiva, acompanhados dos requisitos documentais aplicáveis, bem como restrições firmes à mudança de selecção. O princípio apresentado foi o de assegurar regras iguais para todos os países e condições de representação que protejam a integridade das competições, e que enviem um sinal claro, que em desporto não se compram vitórias.

No final, a intervenção foi recebida com um forte aplauso de toda a sala. O presidente da Federação Espanhola de Pádel, Javier Rodríguez Piris, tomou imediatamente a palavra para expressar total identificação e apoio à posição portuguesa. As intervenções subsequentes reforçaram ainda mais esse apoio.

A Assembleia aprovou, por uma maioria expressiva de 77 em 79 países, o mandato para que o Board da FIP desenvolva um regulamento mais exigente sobre a elegibilidade de atletas para as selecções nacionais, tendo as federações dos Emirados Árabes Unidos e do Bahrain sido as únicas a votar contra. A decisão abre caminho à elaboração de novas regras, cujos critérios concretos serão definidos no âmbito desse trabalho e se aplicarão já neste campeonato do mundo de absolutos.

Durante a deslocação a Madrid, o presidente e o vice-presidente da FPP trocaram também impressões com figuras de referência do desporto e do padel internacional, entre as quais Luigi Carraro, presidente da FIP; Alejandro Blanco Bravo, presidente do Comité Olímpico Espanhol; Javier Rodríguez Piris, presidente da Federação Espanhola de Pádel; José Luis Amoroto Oria, presidente da Federação Madrilena de Pádel; David Sugden, CEO do Premier Padel; David Serrahima, General Manager do Premier Padel; Joan Cuscó, da Octagon Ibérica; e Alfredo Peñalver, CEO da Bullpadel.

Para ler a intervenção completa do presidente da federação faça clique aqui: Declaração da FPP na AG da FIP