ORGULHO, AMBIÇÃO E O OURO NOS
JOGOS DO MEDITERRÂNEO 🥇
Caros atletas, treinadores,
árbitros, dirigentes, clubes e todos os apaixonados pelo Padel em Portugal,
Escrevo-vos hoje com o coração
cheio de orgulho e seria impossível não me pronunciar depois de um momento tão
grande vivido pelo padel português.
Uma história que continua a ser
escrita a letras de ouro, e desta feita, literalmente. Já tínhamos vivido um
momento marcante nos European Games em Cracóvia, onde Miguel Oliveira e
Afonso Fazendeiro conquistaram a brilhante medalha de bronze em masculinos — a
nossa primeira medalha no ciclo olímpico, mesmo com a nossa modalidade ainda a
fazer o seu caminho rumo ao reconhecimento olímpico definitivo.
Agora, nos Jogos do Mediterrâneo,
em mais uma estreia histórica da modalidade no certame, voltámos a fazer erguer
a bandeira nacional e a cantar de pulmões cheios o nosso hino nacional. Em
mistos, a Sofia Araújo e o “Peu” Araújo, conquistaram a MEDALHA DE OURO! Uma
vitória memorável e extraordinária que deve encher de orgulho não só os dois
atletas, mas toda a Federação e todos os portugueses. Uma performance inédita,
extremamente difícil debaixo de temperaturas de 42 graus que obrigavam a
paragens de descanso obrigatórias, e que só é possível com a força destes
superatletas. Um orgulho assistir a semelhante performance e um orgulho ver o
orgulho que demonstraram a vestir as cores nacionais.
Não posso deixar de, todavia, dirigir
umas palavras muito especiais e de profunda gratidão a todos os nossos atletas
que nos representaram em campo, e que lá deixaram tudo igualmente, mas não
conseguiram trazer para casa as medalhas que mereciam. Mais do que qualquer um
de nós, são eles quem mais triste ficaram ao caírem tão perto. Mas caíram de pé
e muita honra tenho ao presidir a esta federação com estes atletas, que
naquelas condições, nunca desistiram. Nada mais se lhes pode pedir. À Noggy e à
Sofia, o nosso par feminino, e também o par mais cotado, não foi o que queriam,
mas quem se pode envergonhar com um honroso 4.º lugar? Foi por um fio. O mesmo
ao nosso par masculino, que já tantas felicidades nos deram, os “manos
Deus”, que lutaram até ao fim pelo bronze num disputado jogo contra a
Itália, que poderia ter caído para qualquer lado. Desta vez não caiu para nós,
mas quem lá esteve viu que, fosse jogado o encontro em condições normais e a
vitória teria sido nossa – um Presidente também pode ter a sua opinião. E ao
nosso outro par, mais jovem, que tão bem se bateu e fez um jogão, ao Peu e ao
Pedro Graça, um orgulho enorme por durante mais de duas horas nos terem feito
sonhar. Contra dois jogadores de classe mundial, nunca se renderam e venderam
muito cara a derrota aos espanhóis – Portugal começa a acreditar cada vez mais,
e é graças a momentos como estes. Obrigado.
Pode até parecer uma crítica
quando se fala em medalhas não conquistadas, mas não é, pois é exactamente o
contrário. Estou imensamente orgulhoso dos nossos pares masculinos e femininos.
E se fico com um sabor agridoce por não termos trazido mais duas medalhas,
quero que leiam isto como o maior dos elogios: todos sabemos o valor imenso que
vocês têm e daquilo que são capazes. Sabemos a qualidade do padel que jogam e
aquilo que podem alcançar, e por isso vos exigimos tanto. Desta vez não deu,
mas com a garra e entrega que vos caracterizam sempre, quando envergam as
nossas cores, sabemos que o vosso talento e potencial, inevitavelmente, vão
levar-nos mais longe!
Mas as medalhas ou as quase
medalhas não se conquistam de forma isolada. Quero passar um agradecimento
sentido a toda a nossa estrutura técnica que acompanhou a nossa comitiva com um
profissionalismo exemplar: à nossa Directora de Selecções e Chefe de Missão, Catarina
Carvalho e ao nosso fisioterapeuta Luís Ribeiro, pelo cuidado e dedicação
constantes, e que muito trabalho teve a cuidar dos nossos atletas nas condições
adversas em que se jogou. Um abraço e um reconhecimento gigante aos nossos seleccionadores
nacionais: ao Zé Pires da Silva, seleccionador nacional feminino, e ao Gervásio
Del Bono, nosso seleccionador nacional masculino, que acompanhou e liderou com
mestria a nossa dupla no ouro em mistos. O Gervásio continua a demonstrar,
diariamente, por que razão é para mim o melhor treinador do mundo, e o Zé segue
de perto as suas pisadas.
A nossa gratidão estende-se ao
Comité Olímpico de Portugal, na pessoa do seu Presidente, Fernando Gomes, e à Secretária-Geral,
a Diana que tantas vezes esteve presente, e a Ana sempre disponível para
ajudar, e a todo o resto da sua equipa que nos apoiou. Muito obrigado por acreditarem
na nossa modalidade, e permitirem que o padel fizesse parte integrante desta
fantástica comitiva olímpica nacional. Para os nossos atletas, foi uma
experiência verdadeiramente única, inesquecível e enriquecedora.
Ao Secretario de Estado do
Desporto, um muito obrigado por todos os jogos em que marcou presença, passando
da secretária para o campo, ali in loco, coisa que poucos dirigentes
fazem. Pedro Dias multiplicou-se e foi a todas. Um obrigado pelas nossas e por
todas as outras também.
Por fim uma palavra de enorme
reconhecimento também ao Presidente da FIP (Federação Internacional de Padel),
pelo trabalho extraordinário que tem desenvolvido nestes últimos anos para
incluir o padel nestes grandes eventos olímpicos, que são a antecâmera dos
JOGOS OLIMPICOS. Passo a passo, estamos cada vez mais próximos desse sonho
olímpico e esse caminho deve-se a esta visão e liderança, e ao excelente
trabalho que Luis Carraro tem feito e que dificilmente alguém faria melhor.
Seguimos agora com a ambição no
topo e cheios de vontade para o próximo grande desafio: o Campeonato do Mundo!
Vamos com a garra e determinação de sempre para representar Portugal ao mais
alto nível, e agora temos os atletas “esfomeados”. Conhecendo-os como os
conheço, cuidem-se os adversários.
E deixo-vos já um olhar no futuro
próximo: no próximo ano, seremos nós, Portugal, a organizar os Beach Games
em Portimão/Lagos! O Padel estará presente, e a jogar em casa, com o apoio do
nosso público, tenho a absoluta certeza de que, desta vez, vamos subir a muitos
mais pódios e festejar mais medalhas!
O padel português está vivo, está
forte e continua a crescer sem limites.
Muito obrigado a todos! Viva o
Padel, Viva Portugal!
Ricardo da Silva Oliveira
Presidente da Federação
Portuguesa de Padel


